Caderno de Campo

Pelos desertores, agora em português

Posted on: 21/07/2010

Tenho um amigo que não sabe francês. Quer dizer, pelo menos tenho um que se queixou. E como acho que esta música o vale e o amigo também, fiz uma tradução livre e rápida, espero que gostem e que o pessoal que percebe realmente de traduções não me caia em cima (é a vantagem de ter 35 leitores, 29 dos quais chegam aqui ao engano).

Caro presidente
vou-lhe escrever uma carta
que talvez leia
se tiver tempo.

Acabei de receber
os meus papéis ‘militares’
para partir para a guerra
até quarta feira.

Caro presidente
Eu não quero fazer a guerra
Eu não estou aqui na Terra
para matar as pobres pessoas.

Não é para o chatear
[mas] é preciso que lhe diga
a minha decisão está tomada:
Eu vou desertar

Desde que eu nasci,
já vi morrer o meu pai,
já vi partir os meus irmãos
e [vi] chorar os meus filhos

A minha mãe já sofreu tanto
que dentro da sua tumba
ela se ri das bombas
ela se ri dos vermes

Quando eu estive prisioneiro
violaram-me a mulher
violaram-me a alma
e o meu passado

Amanhã pela fresquinha
fecharei a porta
no nariz dos anos mortos
e faço-me à estrada

Vou mendigar a minha vida
Nas estradas de França
Da Bretanha à Provença
E direi às pessoas:

Recusem obedecer
Recusem fazê-la
Não vão para a guerra
Recusem partir

Se é preciso dar o sangue
Vá dar o seu
Você é um bom apóstolo
Senhor Presidente

Se me vai perseguir
previna os seus soldados
de que eu não terei armas
e que eles poderão atirar.

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3 Respostas to "Pelos desertores, agora em português"

admiro os desertores.
a Paz é a melhor das causas, vale a pena o risco tremendo de não lutar/lutando por ela. (digo eu, que felizmente nunca fui obrigada a ir à guerra)

Quando houve o 25 de Abril eu tinha 3 anos. A primeira coisa que o meu pai pensou foi, “Ele já não vai ter de ir à guerra”.

Belo poema.

Eu descendo de uma longa linhagem de desertores e exilados. À excepção do meu bisavô, pai da minha avó paterna, que morreu na guerra de 14/18. Quer dizer, não morreu, veio de lá ‘gaseado’ e morreu 3 meses depois de chegar. A minha bisavó ficou com 6 filhas para criar sozinha.
Nem consigo imaginar o que é para um pai pacifista ver um filho a ser enviado para a guerra. Que dor.

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